//Pirataria de filmes. Minha opinião.
Olá a todos. Este post é sobre pirataria de filmes. Demorei a decidir publicar algo sobre esse assunto. Um dos motivos que me motivou fazê-lo foi uma conversa um pouco mais acirrada com um fotógrafo no twitter, sobre download de filmes e uso de imagem. Como finalizei a discussão afirmando que aquele não era o local mais adequado para tal, pensei em um dia fazer um post sobre o assunto no blog. Demorei uns bons três meses (ou mais), mas aqui estamos com este assunto. Este na verdade faz parte de uma série de dois ou três em que tratarei, de forma superficial, sobre o tema, que é difícil de tratar, melindroso, pois existem opiniões bem diversas sobre o mesmo. Durante o texto, tentarei deixar claro: quero discutir um assunto que perpassa por valores não somente financeiros, mas éticos e, principalmente, de acordo com o meu ponto-de-vista. É importante pra mim deixar claro minha ideia sobre o assunto pois, primeiro como professor, me considero um formador de opiniões, e segundo, como designer, fotógrafo amador e editor/montador de vídeo, faço parte da cadeia produtiva do mercado cultural, e acho que sou responsável também pelo desenvolvimento sustentável da mesma. Mais importante ainda, não tenho a mínima pretensão de tentar esgotar o assunto. Até porque sou ignorante em uma série de implicações que o mesmo tem, tanto legais como culturais. Mas acredito que é certo eu expor meu posicionamento, assim como é de direito concordar ou não com ele.
Posicionamento
Pra começar é importante definir desde já o que chamo de pirataria. Para mim (posso estar errado, mas é como até o momento defino), é todo e qualquer ato que infrinja os direitos de distribuição de alguma coisa. Direitos esses que foram definidos por lei. No caso deste texto, filmes.
Sobre esse assunto tenho posição bem definida: não pirateio filmes. Veja bem: Não escrevi que nunca fiz isso. Apenas não o faço mais. E aqui já quero derrubar a primeira frase que é usada quando se discute o assunto com quem copia, baixa ou qualquer coisa relacionada: “que atire a primeira pedra quem nunca fez isso”. Todo mundo, me corrijo, todos os que estão de alguma forma vinculados à evolução digital já, em algum momento fizeram ou fazem a cópia de algo.
A questão não é piratear ou não piratear. É dessa forma simplória que a industria quer que pensemos. A pirataria, a meu ver, deve ser analisada não como um ato isolado de um indivíduo, mas como um movimento político-social e econômico. Analisando somente um aspecto, o financeiro, piratear produtos, de uma forma ou de outra, se tornou também (e não somente) uma ferramenta que a sociedade utiliza para criticar um mercado capitalista que castiga, pelo menos no Brasil, um povo necessitado (no caso, de cultura) mas não tem como consumir os produtos na maior parte dos casos. Coloco o mercado como culpado pois acho desnecessário e não compreendo, apesar de entender como a teoria do marketing funciona, o lucro demasiado desejado pelas empresas, que faz com que o valor que alguns produtos tenham aqui no Brasil em relação ao seu custo de produção (custo de materiais + desenvolvimento) seja exarcebado. Exemplo dado pela Folha de S. Paulo: um DVD tinha a algum tempo o custo de produção de dois à cinco reais. Este mesmo DVD era vendido ao mercado de locação por 100 reais (clique aqui para ver a matéria completa)(fonte:Blog do Jotacê) . Faça as contas. É irreal. Outro exemplo? Playstation 3 e lojas americanas. Quando de seu lançamento, em 2005/2006, seu preço nos Estados Unidos era de 600 doláres, mais ou menos. No Brasil, foi vendido como um produto importado ao custo de 7 mil reais. Não acredita? veja a imagem abaixo! (fonte: macmazazine)
Preço tão irreal, dado pelas regras do marketing de vendas, que três meses depois era vendido por 3500 reais, chegando ao patamar de 2500 mais tarde. Hoje é mais baixo ainda, mas aí já deixou de ser novidade e o preço baixou no seu mercado de origem. Pra terminar, uma TV de LCD da Sony, XBR9, custava em Dezembro, no seu lançamento, em torno de 10.000 reais. Em Abril, achava-se por 6.500. Livro, revistas, tudo no Brasil é superfaturado. O povo não tem cultura é porque não pode pagar pela mesma. Sim, eu sei que não estou escrevendo novidade por aqui, mas pra mim é importante mencionar. E sim, eu escrevo como um ignorante do processo de fabricação destes produtos citados, então não tenho a menor ideia do custo para o seu desenvolvimento, mas sabemos todos que as empresas não tem um lucro assim tão mínimo.
Movimento Social
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É necessário deixar claro: Como movimento social, a pirataria é importantíssima para agitar as empresas e seus dogmas comerciais. Com ela, temos sim um ato da sociedade que força os responsáveis da indústria a repensarem seus modos de agir. Como resultado, temos preços mais baixos em vários produtos, além de uma movimentação de quem produz no sentido de achar novas formas de lucro. Algumas bandas musicais já entenderam isso. Coldplay disponibilizou um disco inteiro pra baixar de graça da internet o LeftRightLeftRightLeft (clique aqui para baixar), e a banda Capital Inicial colocou todo o Cd Das Kapital (seu último lançamento), na internet para quem quiser escutar por streaming (fonte: uol). Um outro exemplo de agir de uma forma diferente? A Apple vende, pelo itunes, mais músicas do que qualquer outro modo de venda nos EUA.
Dessa forma, a pirataria trouxe benefícios. Como escrevi acima, há sim produtos que não teriam seus preços reduzidos se não fossem outras formas de obtê-los. O problema e que só isso já não basta mais. Nem estar acessível para uma parcela maior da população. As pessoas querem de graça. Que a industria ache outra forma de ganhar dinheiro com isso. Sinceramente, acho até que essa será em algum futuro não muito distante a saída encontrada. Já o é para algumas bandas, pelo menos em parte. A questão é que não existe almoço grátis. Em algum ponto do processo de produção há custos. Estes sempre existirão. E enquanto não se acharem uma forma de contornar essa questão, o mercado e a indústria seguirá firme na defesa de suas formas de agir, pois de graça dificilmente uma produção cinematográfica como Matrix será realizada.
Eu pirateio ou compartilho conteúdo?
Piratear é errado em sua essência, pois ignora-se muita coisa em prol de um só indivíduo. E pra mim, isso deve ser considerado com merecida ênfase quando quem pirateia faz parte da cadeia produtiva do produto que está sendo pirateado. E aqui se coloca uma discussão ética e moral: se eu sou um fotógrafo, eu vendo minhas fotos, pois elas tem um valor dado não só pelo custo da produção mas também pela questão autoral. E fico “nervoso” quando alguém as utiliza sem minha autorização. Se sou designer, e alguém utiliza minha marca ou ilustração sem autorização, quero processar a pessoa ou empresa. Agora, quando é a imagem do outro, no caso de filmes, aí pode? Deve-se fazer pois a internet é em sua essência uma rede de compartilhamento? Compartilhar algo que não é seu? Como assim? Cadê minha ética? Minha moral para exigir dos outros que não o façam com as imagens que eu produzi?
Pra mim, piratear é um movimento, um ato social, provocado não só, mas também por uma incapacidade econômica da população e que foi criminalizado à pedido da industria, do governo e de quem mais produz, como forma de proteger seus ganhos, enquanto essa ainda vive da falta de atualização de seus processos produtivos e comerciais. Enquanto movimento, é importante para mobilizar a sociedade em um objetivo comum, ainda que ilegalizado. É, entretanto, anti-ético e imoral, enfaticamente naquilo ao qual estou ligado enquanto membro de uma cadeia produtiva da sociedade. Enquanto sujeito que produz, me nego a copiar ou piratear filmes ou qualquer outro produto o qual participo ou poderia participar de alguma forma em sua produção, haja vista meu entender sobre este assunto, que espero ter deixado claro.
E ficar no meio do muro não dá. Pois um dia, você poderá estar “do outro lado da moeda”, e terá a pirataria e suas características sendo usados contra você. E me desculpe, mas se você é antiético com “o cara” que “fez” o ultimo filme do Woody Allen ou George Lucas, o que me garante que você será ético de fato enquanto eu for seu cliente?
Comentem ai o que vocês acham, quero sabe a opinião de vocês!



Karla 07/29/2010
Concordo com o post, mas acho que ainda tem um outro detalhe. Independente da postura do mercado brasileiro de superfaturar produtos culturais, boa parte do consumidor brasileiro não valoriza esse tipo de produto. O que é fruto de trabalho intelectual e artístico não é visto nem valorizado como trabalho. As tecnologias podem nos levar a uma forma de termos acesso a diversos tipos de produtos culturais gratuitamente, mas eles não vão ser apreciados de fato enquanto a discussão ficar só no nível de quem lucra mais. Um filme como Matrix não depende só de dinheiro pra ser produzido. Filmes assim são resultado de muito trabalho. Por outro lado, há uma série de filmes que podem ser comprados por preços acessíveis, mas muitas pessoas não querem pagar nem R$50,00 nem R$10,00 por um filme. Isso, pra mim, significa que elas não acreditam que esses produtos devam ser valorizados. E mais, será que não podemos nos engajar em outros tipos de movimentos para mudar a postura do mercado em vez da pirataria?